Perspectiva Jornalística

Portefólio Profissional

Reviver o passado| O Trabalho do Vinho

Posted by Patrícia Pereira em 02/10/2011

O Grupo de Danças e Cantares de Santiago de Bougado, além do seu festival de folclore, tem a seu cargo uma tarefa anual que visa reviver o passado. Este ano a atividade escolhida para ser recriada foi a Vindima.

Através das pessoas de idade avançada, conseguimos apurar as informações necessárias para recriar os momentos mais importantes da vindima, tais como a poda, o sulfatar e por fim a vindima.

O primeiro passo para uma boa colheita é a poda das videiras. E isso foi o que o Grupo de Danças e Cantares recriou em meados de fevereiro.

Com o intuito de aumentar a qualidade das uvas e de melhorar as condições de produção da videira, os nossos antepassados podavam as ramadas das videiras para que as raízes pudessem estar proporcionais às vides. Deste modo, teríamos uma boa vindima.

Enquanto os homens desenvolviam esta tarefa, as mulheres ficavam com o trabalho de apanhar os ramos que caíam ao chão.

Além disso, estas atividades eram animadas com cânticos e muitas brincadeiras entre os presentes.

No final da tarefa, os patrões ofereciam uma merenda onde a broa, o vinho, as azeitonas e o chouriço eram elementos que não podiam faltar.

O próximo passo a recriar foi o sulfatar. Depois das videiras começarem a florir, era a altura ideal para a vinha ser polvilhada com enxofre. As caldas para sulfatar eram feitas num cântaro, levando água, cal em pedra e sulfato de cobre.

Finalmente chegamos a setembro, a tão agradada altura para uma das etapas finais: o vindimar.

Munidos de escadas, cestas e boa disposição, os elementos do Danças e Cantares terminaram hoje de manhã a sua última tarefa. Chegou o momento de demonstrarem como é que os nossos antepassados vindimavam. As picardias entre elementos, as cantigas e as anedotas foram uma constante durante o trabalho. Era desta forma que se passava o tempo enquanto se vindimava.

Homens e mulheres desempenhavam as mesmas funções: apanhavam as uvas, tendo que utilizar as escadas para alcançar os cachos mais altos. As crianças tinham como função apanhar os bagos que estavam no chão. Tarefa essa que elas dispensavam, pois o seu maior desejo era subirem às escadas para apanharem os cachos.

Quando uma moça mais nova subia na escada mais alta, os homens aproveitavam para espreitar para as pernas dela, usando a desculpa que tinham vagos no chão para apanhar.

Depois de entrarem no lagar as uvas, os cachos eram pisados pelos homens, ora juntos com as mãos nos ombros uns dos outros, ora em qualquer ponto do lagar isoladamente a pisar as uvas. O que não podia faltar era um copo de um bom vinho, cantigas e “danças” para passarem bem o tempo.

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