Perspectiva Jornalística

Portefólio Profissional

Reportagem no Mercado do Bolhão

Posted by Patrícia Pereira em 28/06/2009

“Só uma coisa te peço

Oh meu rico S. João

Que mantenhas sempre vivo

O mercado do Bolhão”

A maior e mais típica praça comercial da cidade do Porto encontra-se precisamente na baixa desta. Estamos a falar do Bolhão.

Bolhão significa “bolha grande” e isto deve-se ao facto de ter sido edificado sobre uma nascente de água que ali existia.

Foi mandado construir em 1837 pelo Presidente da Câmara Elísio de Melo e conduzida pelo arquitecto António Correia da Silva, tendo sido inaugurado em 1914. O intuito deste seria juntar todos os mercados num só. É pois de arquitectura neoclássica tendo, actualmente, em 2008, sido considerado imóvel de interesse público.

Devido à falta de estacionamento e à existência de hipermercados com horários flexíveis, houve uma redução de clientes, o que levou a uma redução de comerciantes, visto que em 1998 contava-se 440 e em 2008 contamos apenas 170, como podemos comprovar através dos seguintes depoimentos:

Dona Inês, florista, 30 anos de trabalho no mercado: “A única mudança que houve foi que há menos clientes derivado às superfícies que há, os supermercados e essas coisas assim, o que se nota o negócio pior”.

Dona Helena, padeira, 47 anos de trabalho no mercado: “A gente dantes trabalhava muito, agora não fazemos nada”.

Ao longo dos anos houve várias tentativas de restauração do mercado do Bolhão. O último projecto foi aprovado em 1998 pela Câmara Municipal do Porto e Ministério da Cultura mas ainda não avançou. Este visava manter o mercado original, criar uma rede de frio para conservação de alimentos, resolver a questão das cargas e descargas e consecutiva higiene alimentar pessoal, criar parque de estacionamento para os comerciantes e regenerar a edificação contígua ao mercado.

Houve ainda um processo em 2007 que ambicionava a demolição de todo o interior do mercado do Bolhão, construção de habitações de luxo e de um centro comercial, deixando apenas cerca de 3% de área total para o comércio tradicional.

Vários movimentos cívicos levantaram questões sociais e culturais para o impedir. Houve várias iniciativas, inclusive uma petição com 50 mil assinaturas e um cordão cultural do Bolhão que contou com a participação de vários artistas solidários com a causa.

No mercado do Bolhão existe uma interactividade bem patente entre vendedor e cliente, no sentido de dar a conhecer ao mesmo o local de onde provêm os alimentos, bem como o tratamento que os agricultores tradicionais lhes dão. Isto numa altura em que cada vez mais as grandes superfícies comerciais recorrem a mercados estrangeiros onde o uso de produtos químicos “provoca” o tamanho desejado dos mesmos para “vista” perante os clientes como é comprovado através do depoimento de Mariazinha que aí trabalha desde que nasceu:

“Eu comia papas com farinha, e eram muito boas com aquela gordurinha que era muito saudável, agora a carne não presta. O meu sogro morreu com 97 anos a comer carne de porco que ele criava…”

Contudo, apesar de todas estas promessas não terem sido cumpridas até agora, ainda existe uma réstia de esperança tanto nos comerciantes como nos clientes que ainda o frequentam como José que acredita que a Câmara ainda vai avançar com o projecto.

Por: Patrícia Pereira e Isabel Rocha

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