Perspectiva Jornalística

Portefólio Profissional

“A exigência de 24h do teu máximo empenho e esforço… por dia!”

Posted by Patrícia Pereira em 04/12/2009

Numa conversa calma e descontraída, o jornalista Frederico Correia, conta-nos como é o mundo do jornalismo.

Patrícia Pereira: Sempre quis ser jornalista?

Frederico Correia: Mentiria se dissesse que sim. Este foi um caminho que se abriu na minha vida e que decidi trilhar com grande afinco. Nunca olhei para o futuro com muitos projectos e planos definidos com largos anos de antecedência. Sempre me deixei guiar pelo instinto e pelas oportunidades. Afinal, a vida é isso, um conjunto de oportunidades. Posso ainda abrir uns pequenos parênteses para deixar claro que o curso de Ciências da Comunicação foi somente a minha segunda escolha… a primeira foi Genética e Biotecnologia que, juntamente com CC, seria pela primeira vez leccionado na UTAD. Como vê, apenas por sorte, ou infortúnio não sei, sou agora jornalista.

Patrícia Pereira: Como surgiu esse gosto?

 

Perfil

Nome: Frederico Emanuel Lopes Correia

Data de nascimento: 20-06-85

Cidade: Vila Real

Signo: Gémeos

Livro Favorito: poderia dizer vários, mas não os poderia dotar de ordem de importância e pouco acrescentaria esta informação…

Autor Favorito: se respondesse Saramago ou Gabriel García Márquez, poderia ser insultado ou até classificado de comum. Se optasse por Antonio Salas, questionavam: “quem?”. Acho que mais do que um livro e seu autor, há a leitura.

Filme Favorito: vários

Comunicador / jornalista que o marcou: todos quantos me ensinam algo…

Fobia: andar de avião

Citação: “Ser o que somos e tornarmo-nos naquilo que somos capazes de ser é o único objectivo da vida” – Robert Louis Stevenson

Frederico Correia: O gosto mais próximo daquele que sinto hoje surgiu quando já eu frequentava aquele curso que vocês terminarão este  ano, se tudo correr pelo melhor. Foi mais uma oportunidade… procurei a possibilidade de começar a escrever para um jornal local, a porta abriu-se e a dedicação e empenho ajudaram no resto.

 

Patrícia Pereira: O curso de comunicação é um dos mais concorridos. Consequentemente o mercado de trabalho também se encontra lotado. Mesmo assim, pôde contar com o apoio da sua família?

Frederico Correia: Nunca a minha família foi de “opinar” muito sobre as minhas decisões. Apenas dão conselhos, mostram a sua visão das coisas, mas sobre o futuro será aquele que eu escolher para mim. Como já disse, quase entrei em Genética…

 

Patrícia Pereira: Licenciou-se no curso de Ciências da Comunicação na UTAD. Quando chegou ao mercado de trabalho sentiu-se preparado?

Frederico Correia: O meu caso é diferente. Já estava no mercado de trabalho ainda antes de concluir o curso. O primeiro passo foi começar a perceber que nem sempre a teoria corresponde à voraz realidade que nos espera fora dos portões da academia. Mesmo assim, ainda hoje considero que aprendo. Poderá ser esta frase interpretada como uma bela frase e que fica bem, mas é que o sinto de verdade. Principalmente no jornalismo, mais do que numa profissão comum, cada dia é uma incógnita e um desafio… se calhar, é por isso que ainda continuo por aqui…

 

Patrícia Pereira: O curso deu-lhe as bases necessárias para se conseguir “desenrascar” neste “mundo”?

Frederico Correia: Mentiria se dissesse que sim, mas seria injusto se dissesse que não. O curso não é tudo, mas também não é um “nada”. O estudante tem o conceito de que se não sabe é porque não lhe ensinaram, mas esquece-se que por vezes não quis aprender e por outras não se esforçou para saber mais. Posso dar um exemplo concreto: o projecto que hoje conhecem como UTAD-TV começou durante o meu último ano de licenciatura, na altura com o nome AAUTAD-TV. Nesse ano, a iniciativa foi aberta a todos os alunos do terceiro ano, mas em termos práticos dez foram os que se empenharam verdadeiramente no projecto, que hoje tem o impacto que tem. Perguntam-me o que pretendo dizer com isto e respondo simplesmente: se não te empenhas e não lutas por algo em que acreditas escusas de esperar muito da vida. O curso é, numa definição economicista e ao mesmo tempo algo parva, um pára-quedas… depois disso precisas de ter coragem e alguma sorte, oportunidade.

 

Patrícia Pereira: Actualmente trabalha no jornal “O Mensageiro” em Vila Real. Quando chegou ao mundo do Jornalismo tudo era como esperava ou apanhou uma espécie de choque quando se deparou com a realidade?

Frederico Correia: Nada, nem ninguém é como se pinta, como se costuma dizer. Antes de começar a trabalhar no Mensageiro Notícias já tinha no currículo pelo menos dois anos como colaborador do Notícias de Vila Real e outros tantos na Rádio Voz do Marão e Rádio Santa Marta. Já neste jornal, deparei-me com um desafio regional e não local, encontrei exigências que se fazem a um “profissional” e nunca a um colaborador… em suma, tudo é desafiante e, ao mesmo tempo, estimulante. Por isso, acho que sim, senti-me chocado!

 

Patrícia Pereira: Dentro do jornalismo, jornal impresso é a vertente que mais o fascina ou gostaria de experimentar outras?

Frederico Correia: Como já disse, também já estive na rádio e passei pela tv, no formato que vocês conhecem agora a UTAD-TV. Muito sinceramente, acho que me safo melhor no jornalismo impresso, no entanto, sinto um bichinho de cobrir eventos desportivos para rádio… mas, neste momento, estou bem como estou. Mas, como já disse, vivo de desafios, de oportunidades e, perante eles, arrisco se tiver oportunidade de sair vitorioso.

 

Patrícia Pereira: Enquanto jornalista, o que mais te fascina nesta profissão?

Frederico Correia: A exigência de 24h do teu máximo empenho e esforço… por dia!

 

Patrícia Pereira: E o que mais te desanima, se é que assim se pode dizer?

Frederico Correia: Talvez seja melhor perguntar-me qual o meu medo. Que um dia deixem de me reconhecer valor e empenho…

 

Patrícia Pereira: Para si, o que acha ser essencial para ser um bom jornalista?

Frederico Correia: Nos dias de hoje, talvez saber se quer ser jornalista ou quer ter um emprego das 9 às 17h… com pausa para almoço!

Patrícia Pereira: Uma grande característica do jornalismo e de um jornalista é a objectividade. Pode ser-se realmente objectivo?

Frederico Correia: Podemos ser como e o que quisermos.

 

Patrícia Pereira: O que pode dizer sobre a abordagem informativa nos jornais portugueses. Admite que existe espaço para o sensacionalismo nos nossos jornais?

Frederico Correia: O conceito de sensacionalismo é demasiado vasto para o discutir numa entrevista. No entanto, se tivermos como referência o Correio da Manhã e a sua tiragem e venda, podemos retirar algumas das conclusões…

 

Patrícia Pereira: um jornalista tem como obrigação informar, mas cada vez mais eles misturam informação com a sua opinião. O que tem a dizer sobre isto?

Frederico Correia: O jornalista não é máquina desprovida de sentimentos, opiniões ou crenças. Deverá saber separar as águas, no entanto, nem sempre é possível. Mas não creio que o nosso jornalismo esteja “minado” de opinião jornalística. Acredito antes que a sociedade tem, agora, felizmente mais opinião sobre tudo e mais alguma coisa e, por vezes, leva a que entremos no que chamamos de “clubismo” ou “partidarismo”. Poderíamos abordar outras questões como a política editorial de cada órgão de comunicação, mas ficará para uma próxima…

 

Patrícia Pereira: Alguma vez algum leitor criticou negativamente as suas notícias?

Frederico Correia: Felizmente sim. Podemos sempre refugiar-nos na velha frase: “é sinal que leram”. Mas nunca é fácil ouvir a crítica e mais complicado é quando ela é apenas intencionalmente depreciativa. No entanto, nada a que a experiência não habitue.

 

Patrícia Pereira: Como resolveu essa situação?

Frederico Correia: Num dos casos, em que vi que, de alguma forma, poderia haver fundamento ao reparo feito, sugeri um contacto por email… mas o leitor “anónimo” nunca o chegou a fazer.

 

Patrícia Pereira: Sei que será orientador de estágio de futuros licenciados. É a primeira vez que tem esta responsabilidade?

Frederico Correia: Não

 

Patrícia Pereira: Estando nesta área há pouco tempo, que dificuldades acha que terá ao ajudar estes jovens?

Frederico Correia: As dificuldades não estão nunca pré-programadas. Surgem pela pessoa e contexto em que está inserida a experiência. Se me perguntam se estarei preparado, responderei que estarei disponível para tentar resolver…

 

Patrícia Pereira: Que conselhos pode dar a um finalista do curso da comunicação?

Frederico Correia: Que a fase de aprendizagem ainda agora começou…

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